Compartilhe esta página no Facebook

Compartilhe esta página no G+

Pesquisar no site

A Aposta de Pascal


Amplamente utilizada pela apologia cristã, é apresentada no livro Penseés, formulada por Blaise Pascal (1623-1662) filósofo, físico e matemático francês. Não é um argumento para provar a existência de Deus, mas para apoiar um comportamento de acordo com os princípios bíblicos. Seu conteúdo resumido é o que segue:

Deus é, ou Deus não é (...). Você deve apostar (não é opcional).
Deixe-nos pesar o ganho e a perda de apostas na existência de Deus. Vamos estimar essas duas chances: Se você ganhar, você ganha tudo; se você perder, você não perde nada.
Aposta, então, sem hesitação que ele é. (...) Há aqui uma infinidade de uma vida infinitamente feliz para ganhar (...). Mas alguns não podem acreditar. Eles deveriam então "pelo menos aprender sua incapacidade de acreditar..." (Pensées, parte III, §233).

Em outras palavras:

Se alguém crer na existência de Deus e ele existir, terá lucro infinito, a salvação eterna.
Se crer e ele não existir, não terá prejuízo.
Se não crer e ele não existir, também não terá prejuízo.
Se não crer e ele existir, terá prejuízo infinito, a condenação eterna.

Desta forma julga-se que a aposta de Pascal é vantajosa para o crente, pois nunca haverá possibilidade de ter prejuízo e 50% de chance de obter lucro infinito. Já o descrente não tem chance alguma de lucro e ainda tem 50% de chance de ter prejuízo infinito. Vejamos a distribuição em percentagem das probabilidades de lucro, prejuízo e sem prejuízo para crente e descrente:

Crente
Lucro = 50%
Prejuízo = 0%
Sem prejuízo = 50%

Descrente
Lucro = 0%
Prejuízo = 50%
Sem prejuízo = 50%

Gráfico:



Análise

Infelizmente a aposta de Pascal não considera que um cristão sincero e honesto ficaria decepcionado ao saber que dedicou a vida a uma mentira. O cristianismo demanda abstinência, tempo, energia e dinheiro, o que seria prejuízo com a inexistência de Deus. Pascal considerou que a vida ao estilo cristão vale a pena mesmo que não haja salvação no final, mas não é o que a própria Bíblia demonstra quando prevê tribulação, angústia, tristeza e até mesmo a morte por causa da fé, uma vida que ninguém escolheria se soubesse que Deus não existe. O próprio apóstolo Paulo afirma que melhor seria aproveitar a vida de outra forma se Jesus não tivesse ressuscitado, mais trágico é se Deus não existir.

Outro fator importante ignorado por Pascal, talvez induzido pela falta de uma visão global comum em sua época, é a admissão de vários deuses pela cultura humana. Portanto, se o deus cristão não for o certo, o crente ficará em situação difícil ao se deparar no fim de sua jornada com um deus tão intolerante e cruel quanto Jeová como, por exemplo, Alá. Desta forma Pascal formulou uma falsa dicotomia, quando na verdade há um leque de possibilidades de acordo com a crença de cada um dos muitos agrupamentos humanos.

Cálculo mais próximo da realidade

Se, para efeito de cálculo, fosse levado em consideração que a humanidade acredita em pelo menos 20 deuses (sabe-se que é bem mais), a probabilidade do crente estar se dedicando ao deus verdadeiro é de no máximo 5%. Mas se ainda for considerado que a possibilidade de existir algum deus é a mesma de não existir (50%), a probabilidade de lucro infinito do cristão cai para a metade, ou seja, para apenas 2,5%. Só restará ao cristão mais uma opção, o prejuízo (finito caso não exista deuses, ou infinito, caso o deus verdadeiro não seja o do cristianismo e seja intolerante), cuja probabilidade é de 97,5%. Não há qualquer possibilidade de “sem prejuízo” para o cristão se não houver deuses porque, conforme a Bíblia, é prejuízo viver nos padrões bíblicos se Deus não existir.

Já o descrente, tem probabilidade de 50% de lucro finito (pois não se dedicou a uma ilusão) se não houver deuses e 50% de prejuízo infinito se houver um deus como Alá ou Jeová, propenso a condenar os infiéis ao tormento eterno.

Levando em consideração o que Pascal ignorou, vejamos as probabilidades:

Crente
Lucro = 2.5%
Prejuízo = 97.5%
Sem prejuízo = 0%

Descrente
Lucro = 50%
Prejuízo = 50%
Sem prejuízo = 0%

Gráfico:



Conclusão

Partindo de uma visão mais detalhada e realista concluímos que a Aposta de Pascal é mais arriscada do que se pensava e a melhor opção é a descrença.

14 comments:

  1. Legais os cálculos hehe!

    Só no budismo há mais de 20 MILHÕES de deidades (deuses), mas eles não acreditam em Deus nenhum (é uma religião/filosofia sem Deus, mas tbm não chega a ser um ateísmo). Acreditam que a Verdade é o "Vazio do Esclarecimento", a "Vacuidade", que demosntra que tudo é vazio de exist~encia própria, que as coisas dependem de uma intenção mútua para se definirem, mas que naturalmente são todas iguais, vazias de existência (apesar disto não significaqr que elas não "Existam" de todo). O que pregam é que vc faz por si mesmo, e fazendo, obténs as recompensas espirituais (Iluminação, esclarecimento ou simplesmente Nirvana)! (não sou budista nem nada, só comentei a título ilustrativo)!

    ReplyDelete
  2. osvaldo8:26 PM

    Legal. Bom este esclarecimento, afinal, os crentes sempre dizem bobagens...abraço

    ReplyDelete
  3. Sr.Anonimo o fato de ter provas cientificas que certos escritos existem a milenios não provam que necessariamente são estórias verdadeiras.
    Provam apenas qeu são muito antigos; assim como tem lendas mais antigas ainda do que a bilbia e estão ai guardadas em museus pelo mundo.

    ReplyDelete
  4. O que a bíblia tem é muito simbolismo que se pode encaixar em tudo o que se quiser, uma farça pra enganar gente burra. Eu não só aposto na inexistência de deus como tenho certeza que é um mito, sou racional!

    ReplyDelete
  5. Juarez8:51 AM

    quanto mais merda eu falar maior a possibilidade destas merdas se cumprirem principalemnte se eu não disser datas, é óbvio e é no que se baseia a bíblia...

    ReplyDelete
  6. Cálculo totalmente tendencioso ...
    A pre-misa do argumento da pascal, foca na existência de um único Deus, que atenda as expectativas do indivíduo. Todo fator contrário se enquadra na não existência de Deus, e ponto final.
    Essa de Deus tolerante e intolerante, bla, bla, bla ....
    Isso é tudo linguiça para ateus favorecerem sua descrença em Deus. Se isso tudo fosse muito provável, a crença em Deus nem existiria.
    Logo temos duas situações:
    Acreditar em um Deus (algo bom.) (atendendo suas as expectativas).
    Não em acreditar em Deus (enquadrando todas e possíveis variantes, Deus tolerante, intolerante, não deus, vida extraterrestre, vários deuses a espaço a fora, máquinas do futuro, matrix, seres sobrenaturais, misticos e fantasiosos e tudo que sua imaginação racional e irracional pensar).
    No fim: A vida é para ser Feliz, e não para fazer bons lucros (negócios) >> Maldito mundo capetalista e seus defensores.

    ReplyDelete
    Replies
    1. caçador de asnos5:16 PM

      babaca, não vem com esse papo de que crente não gosta de dinheiro, bispo macedo q o diga quando engana os otários que vão na sua igreja atrás de riqueza, no título Pascal já diz que é uma aposta!!! santa igonorancia!!!!!!

      Delete
  7. Orlando-BA9:08 PM

    Para os crentes tudo é muito simples e Deus "resolve" tudo, mas quando têm problemas recorrem a medicina que os ateus lhes proporcionam pois pois por mais que chorem e implorem seu Deus imaginário nada fará... crentes criticam o mundo onde vivem mas nada fazem para melhorá-lo, o que fazem bem é se matar e matar quem nada tem a ver com suas superstições.... falam mal do dinheiro e do capitalismo mas seus líderes nadam em dinheiro que conseguem de crentes que superlotam os templos pedindo dinheiro de um Deus imaginário, porque amam o dinheiro...

    quanto a postagem só tenho a elogiar porque destroça a ingenuidade pregada por Pascal e mostra que arealidade é bem diferente da ilusão pregada pelas religiões. Parabéns!

    ReplyDelete
  8. Alex, a aposta de Pascal não é um argumento apologético, mas uma elocubração epistemológica.

    ReplyDelete
  9. Será que alguém optando em crer ainda assim iria para o inferno, já que, no final das contas, estaria apostando?
    Entendo que aqui se trata de fazer uma escolha, não de uma aposta no mesmo sentido de jogar na loteria. Pascal sugere que, na dúvida, você venha a considerar a existência de Deus, o que, em parte, significaria agir de acordo com seus preceitos.
    A cerca de Deus, se alguém dissesse para não tentar entender, apenas acreditar, eu diria: tente entender você. Não dá para meter esse pensamento na cabeça de pessoas que, por sorte ou por azar, refletem dentro de lógica. Lógica esta que o autor apenas tentou conciliar com Deus, devendo ter esquecido de que o Criador não é lógico. Ao contrário, faz questão de confundir os sábios.
    Os crentes não questionam, mas, no fundo, são tomados de dúvida. Se estivessem inteiramente certos da existência de Deus e da seriedade das Escrituras, seriam mais que crentes, seriam tementes. No entanto, a gente sabe que na prática pecam tanto ou mais que ateus, talvez pelo mesmo motivo que o faz crer, não por convicção, mas cegamente: insensatez.

    ReplyDelete
  10. Por outro lado...

    Alguém pode dizer que seja tudo uma questão de fé, que ou se tem ou não se tem. Mas de que valerá a fé creditada ao deus errado? Pascal pensou nisso? É como se todos os religiosos estivessem jogando, daí passando a ser tudo uma questão de sorte.

    De que adiantará crer em Jesus se os judeus estiverem certos? Do contrário, como os judeus iriam para o céu sem o intermédio de Jesus? Se Alá e Jeová são o mesmo, que estória essa de virgens*? E Shiva?

    Para um deus verdadeiro talvez seja melhor não acreditar em nenhum do que adorar um falso.


    * Decepção dos homens-bomba: a tradução da palavra “hur” para “virgem” está sendo discutida.

    ReplyDelete
  11. Compensa ser cristão sim, pq além da possibilidade de ser salvo, a vida com regras é mais satisfatória q a vida desregrada...

    ReplyDelete
  12. This comment has been removed by the author.

    ReplyDelete

Pregações, palavras de baixo calão, ofensas pessoais, práticas de trollagem, rotulações e argumentos ad hominem serão excluídos.