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Dízimo: 7 Motivos Bíblicos Para Cristãos Não Praticá-lo


O dízimo é uma prática comum no meio cristão evangélico e consiste na doação mensal, à direção da igreja, de 10% de toda a renda bruta, fruto de toda e qualquer atividade financeira, quer seja do emprego formal ou informal ou da atividade empresarial. Embora muitas facções cristãs digam que o dízimo não é obrigatório, ficando a critério do membro dar ou não o dízimo, o sermão dos pastores de qualquer uma delas não é tão flexível assim. O texto bíblico mais utilizado para constranger o crente a dar o dízimo é o seguinte: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. (...) Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.” (Malaquias 3.8-10). Pense no efeito psicológico que é ser chamado de ladrão pelo próprio Deus e, ao mesmo tempo, ter a promessa de fartura. O grande problema dos dizimistas é desconhecer as origens desta prática e se basear naquilo que os líderes pregam, ou por ignorância ou com má intenção, se utilizando de textos bíblicos isolados para convencer os crentes de que o dízimo traz bençãos, ou infortúnios para quem não o pratica. Há pelo menos 7 razões encontradas na própria Bíblia que anulam os efeitos do dízimo e isentam qualquer pessoa a praticá-lo nos dias atuais:

1. A limitação local e temporal do dízimo bíblico

O dízimo obrigatório é parte da lei de Moisés que visava o sustento da tribo de Levi que não podia ter posses e era encarregada de todo trabalho religioso (Levítico 27.30-32; Números 18.21-32; Deuteronômio 12.1-19; 26.12-15). Tal lei era aplicada exclusivamente ao povo de Israel : “... o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.” (Neemias 8.1). Porém a maior autoridade cristã disse: A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus....” (Jesus, em Lucas 16.16). Portanto qualquer texto bíblico que expresse obrigação quanto ao dízimo, que é parte da lei de Moisés, não deve ser aplicado a mais ninguém desde o dia em que João batista morreu.

2. Malaquias escreveu exclusivamente aos israelitas

O próprio livro de Malaquias estabelece seus limites logo na introdução: “A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias” (Malaquias 1.1). Uma segunda passagem confirma o que foi dito na introdução: “Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Malaquias 3.6). Jacó e Israel são a mesma pessoa conforme Gênesis 32.18, e só aos descendentes dele o livro de Malaquias, assim como toda a lei de Moisés, deve ser aplicado.

3. Abraão e Jacó dizimaram espontaneamente

Embora alguns textos bíblicos não relacionados com a lei citem o dízimo, nenhum deles estabelece qualquer obrigatoriedade acerca desta prática. Em Gênesis 14. 18-20, por exemplo, Abraão aparece dando o dízimo espontaneamente daquilo que havia conquistado em uma guerra, e só, não houve estabelecimento de uma freqüência, nem houve intenção de estender o dízimo às suas posses. Em Gênesis 28.22, Jacó prometeu ao seu deus dar o dízimo em troca de segurança, mas também o fez espontaneamente. 

4. Jesus criticou a importância dada ao dízimo e o considerava uma prática do passado

Outro texto muito utilizado pelos pregadores são as palavras de Jesus em Mateus 11.42: “Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, e da arruda, e de toda hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus. Ora, estas coisas importava fazer, sem deixar aquelas”. Esta passagem aparentemente demonstra que Jesus aprovava a prática do dízimo condicionando-o ao não esquecimento da justiça e do amor. Mas com alguma noção de interpretação de textos e tempo verbal fica claro que o que Jesus estava fazendo era uma dura crítica aos fariseus que, como os pastores atuais, supervalorizavam a prática do dízimo e desprezavam a justiça e o amor fazendo caridade com obras tímidas, muito aquém do que arrecadavam. Além disso, nesta mesma passagem, Jesus deixa claro que a importância do dízimo estava no passado ao falar: importava fazer”. Ora, o que importava não importa mais, os fariseus perderam a oportunidade de fazer o correto, pois a lei expirou (Lucas 16.16).

5. O autor de Hebreus não citou o dízimo com intenção de aprová-lo para os cristãos e reprovou a lei que o obrigava

O livro de Hebreus, no Novo Testamento, é também muito utilizado pelos pregadores evangélicos para apoiar a prática do dízimo no cristianismo, mas seu autor explica que fala sobre o dízimo não para aprovar sua prática, mas para mostrar que Jesus podia ser sacerdote mesmo sendo da tribo de Judá, pois pela lei de Moisés só os descendentes de Levi poderiam ser sacerdotes. O autor de Hebreus argumentava que Jesus era da ordem sacerdotal de Melquisedeque, sacerdote a quem Abraão deu o dízimo espontaneamente antes mesmo de Moisés ter nascido. Se Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, era porque o reconhecia como sacerdote legítimo, e se o patriarca da nação de Israel reconheceu tal sacerdócio, toda a nação deveria reconhecer Jesus como um sumo sacerdote capaz de levar o povo a Deus. Observe que o autor de Hebreus revela seu objetivo quando diz “Ora, do que estamos dizendo, o ponto principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade” (Hebreus 8.1). De fato Hebreus 7.18 afirma que a lei da qual o dízimo faz parte era "fraca e inútil".

6. O dízimo moderno é uma prática diferente do dízimo bíblico e nunca fora praticado pelos apóstolos e líderes cristãos antes do protestantismo

Não há nenhuma referência, tanto bíblica quanto histórica, sobre os apóstolos e seus sucessores recebendo o dízimo dos membros da Igreja até a reforma protestante iniciada por Martinho Lutero mais de 1.400 anos depois de Jesus ter abolido a lei que o obrigava. Esta falta de registros é explicada pelo fato dos cristãos não terem dúvida de que o dízimo era uma lei abolida no cristianismo e, quando vigente, isentava os trabalhadores assalariados, sendo aplicada somente aos donos de negócio. Como a maioria dos cristãos era de origem judia e pobre, este era um assunto que não lhes interessava e muito bem compreendido, o que eliminava qualquer necessidade de textos escritos para orientá-los. Quando esta noção foi perdida através do tempo, os reformadores, se valendo da ignorância popular, instituíram um dízimo distorcido aos cristãos. A lei de Moisés era clara que somente os agricultores, pecuaristas e produtores de quaisquer víveres dariam o dízimo, o qual não era em espécie (dinheiro), mas em forma de produto, quer gado, quer produtos agrícolas ou beneficiados. Por não haver uma desobrigação direta para os cristãos, mas somente geral, a proibição da lei de Moisés (Atos 15.1-29), os líderes cristãos de hoje aproveitaram bem a lacuna documental. Outro fato interessante é que o dízimo era dado especificamente em Jerusalém, no templo que hoje está destruído (Deuteronômio 12.11). O dono de um negócio que, por algum motivo, ficava impedido de ir até lá na época determinada, poderia opcionalmente vender o dízimo e usar o dinheiro para comprar produtos e consumir ele mesmo com os levitas e pessoas necessitadas do povo (Deuteronômio 14.24-29). Todos os relatos neotestamentários de doações na igreja primitiva são de ofertas voluntárias sem valor preestabelecido, para ajudar necessitados, evangelistas e pastores na sua sobrevivência, nunca em forma de dízimo, nem para construção de templos ou para quaisquer outros fins (Romanos 15.26; II Coríntios 9; etc.).

7. Segundo o Novo Testamento, cristão que pratica o dízimo pode ser amaldiçoado

Uma última observação é que é comum os pregadores defenderem o dízimo dizendo que a pessoa é abençoada ao dá-lo ou amaldiçoada ao negligenciá-lo, mas, segundo o Novo Testamento, quem permanecer na lei de Moisés (da qual o dízimo é um dos mandamentos) é amaldiçoado (Gálatas 3.10,11). Entretanto há uma outra lógica na Bíblia que alivia esta situação: Se a lei foi cumprida por Jesus (Mateus 5.17) e depois substituída pelo Evangelho (Lucas 16.16), tanto as bênçãos quanto as maldições previstas nela não têm mais efeito. Desta forma os prejuízos se limitam à perda do dinheiro por parte de quem dá o dízimo.